Entre os dias 15 e 17 de maio, no âmbito do projeto Fotoativa em Residência – dois de cá, dois de lá, as artistas Cláudia Leão e Veronique Isabelle, propuseram atividade de deslocamento e imersão nas ilhas de Cotijuba, Jutuba e Jamaci.

Entre derivas fotográficas, reflexões coletivas e interação com moradores, a imersão foi a última atividade do projeto, que agora caminha para a semana de compartilhamento dos processos de cada residente, culminando na exposição final.

Confira abaixo a Galeria de Imagens com fotografias de Rodrigo José e Malu Teodoro, e um breve relato escrito por José Viana.

Saímos na sexta-feira em grupos diferentes, chegando em distintas horas do dia, no sítio do professor Luís, situado na Praia Funda, Ilha de Cotijuba. Entre caminhadas pela paisagem ao redor, escutamos os sons e percebemos as nuances de luz sobre as pedras, os grãos de areia e as árvores. Como proposição de Cláudia Leão, a atividade estava para se descobrir por todos, a partir das motivações de cada um.

A cozinha mais uma vez esteve presente como lugar de encontro, de troca e de experiência. Cheiros, aromas e texturas. Noite de conversas sobre o contexto amazônico. As experiências no entorno do Xingu. Os movimentos de desocupação de famílias historicamente presentes em determinadas fatias da cidade. As mudanças territoriais dos bairros, da cidade e do Estado. A impossibilidade de se relacionar de forma criativa, seja por uma performance, seja por um vestígio. Paredes ao chão. Histórias derramadas, íntimas e familiares, sujeitas às novas determinações. Janelas para o rio de um projeto de cidade-futuro.

Na manhã do dia seguinte, o barco nos aguardava para uma saída pelas ilhas da região. Atividade proposta por Veronique Isabelle, a ideia era se aproximar e conhecer as comunidades de Jutuba e Jamacy, pertecentes à cidade de Belém. Especial para poucos. Indiferente para muitos. Tão perto e tão longe. A paisagem que se avistava do outro lado do rio-mar. Prédios, que de longe pareciam em movimento. Repentino crescimento. Verticalização das experiências.

Meninos e meninas como peixes na corrente da maré. Alimento do próprio quintal, que era de terra e era de água. Peixes e mangas. A baixa do açaí. Dos furos, um grande saco de camarão fresco nos foi presenteado por Aldair, o barqueiro. Uma longa caminhada, do porto pelas praias. Do Farol. Do amor. Da Saudade. Paradas, fotos, um igarapé e enfim, o banho do fim do dia na Praia Funda, onde dizem que as arraias não aparecem.

De volta, novamente a cozinha. Desta vez, os camarões. Limões. Cheiro-verde. Água e pitadas de sal. Conversas regadas sobre as decisões coletivas do dia. As histórias e confianças de cada região. O hoje sempre enraizado pela História que se deu até aqui. Entre o sim e o não. Caminhos para novos debates. A atividade se deixa aparecer a medida que o devir é experienciado por todos. Reflexões coletivas e abertas como bases do encontro imersivo.

No terceiro e último dia, café da manhã, redes ao vento e rodada de conversas. Reflexões antropológicas. Outros sentires e perceberes sobre o Todo. As separações estabelecidas. O eu e o outro. A cisão. A paisagem e o retrato. A arte e a vida. O igarapé. Com os objetivos do devir se aproximando, as perguntas começam a surgir. Como dar forma à experiência construída de forma coletiva por todos? Como compartilhar com outros, para que no futuro, aqueles sejam estes? Como garantir a continuidade? Perguntas para instigar o próximo estágio, a finalização com a montagem de uma exposição.

relato por José Viana


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